Transformação Digital

Luckin Coffee

08 de julho 2019Adilson Batista

Pense em uma empresa com ousadia suficiente para nascer disposta a ganhar da gigante Starbucks em seu 2o maior mercado. Agora pense em uma empresa que se propõe a fazer isso em 27 meses. Impossível? Não é a opinião da rede de cafeterias chinesa Luckin Coffee.

Pense em uma empresa com ousadia suficiente para nascer disposta a ganhar da gigante Starbucks em seu 2o maior mercado. Agora pense em uma empresa que se propõe a fazer isso em 27 meses. Impossível? Não é a opinião da rede de cafeterias chinesa Luckin Coffee.

 

Apostando em um modelo de negócio baseado em pontos de venda minimalistas de baixo custo e atendimento rápido, potencializado pelos pedidos feitos por aplicativo retirados nas lojas ou entregues em até 18 minutos (muitas vezes menos), a Luckin Coffee se expandiu na China com a rapidez similar a que um vírus infesta um organismo.

 

De outubro de 2017, quando foi lançada a primeira loja da rede, até maio deste ano, quando abriu seu capital na Nasdaq, a Luckin Coffee já possui mais de 2,4 mil lojas e tem expectativa de encerrar 2019 com 4,5 mil pontos de venda, superando a concorrente Starbucks. A rede de origem ocidental chegou à China em 1999, possui 3,6 mil lojas e pretende inaugurar mais 600 este ano. Estes números demonstram a voracidade com que a rede chinesa parte para a conquista do mercado de cafés na 2a maior economia do mundo.

 

A depender da performance da negociação do seu IPO em maio na Nasdaq, a Luckin Coffee está bem perto da sua meta, outrora vista como um devaneio. Na negociação foram arrecadados mais de US$ 560 milhões, aumentando a munição de seu board para a execução da estratégia ou até mesmo inclusão de novas ações, que aumentem ainda mais o crescimento da empresa e da marca. “O ponto de diferenciação proposto por ferramentas digitais, como pedidos feitos por aplicativo e entrega expressa em menos de 18 minutos, acertou em cheio o consumidor chinês por estar alinhado aos seus hábitos de consumo e proporcionar uma experiência positiva com um custo menor”, analisa Adilson Batista, fundador e diretor de estratégia da Today.

 

Não fossem todos estes fatores a seu favor, a guerra fiscal e diplomática entre Estados Unidos e China abriu uma outra oportunidade para a rede chinesa. Seja por boicote ou preço, a concorrente Starbucks tende a sofrer com perdas de mais percentuais do mercado nos próximos meses. Percentuais que tendem a ser transferidos para a Luckin Coffee.

 

Além de empresa prodígio do novo mundo digital, a Luckin Coffee pode assumir mais um apelido: fábrica de bilionários. O primeiro foi seu investidor inicial, que entrou com US$ 150 milhões para que o negócio fosse iniciado. Meses depois, Charles Zhengyao Lu recuperou tudo o que tirou do seu porquinho dourado e entrou para a lista de bilionários com os lucros obtidos. Com a abertura de capital em maio, foi a vez da jovem fundadora, Jenny Zhiya Qian, viver momentos na mesma lista, antes de que o pregão da Nasdaq fechasse em queda, concedendo a ela US$ 800 milhões líquidos. Ironia ou não, a Luckin Coffee vai fazendo verão na China e colhendo milhões nos EUA. Está vendo por que você não pode deixar de saber o que é Luckin Coffee? Que tal comprar algumas ações hoje?

Adilson Batista

Fundador e CEO da Today.
adilson@today.ag

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